O Real ganha nova cédula de R$ 200
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| Fonte: Banco Central do Brasil (BCB). |
O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou, em 29 de julho de 2020, que aprovou a criação de uma nova cédula de Real no valor de R$ 200 (duzentos reais), que deverá ser cinza com detalhes em marrom e terá a figura do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), espécie que foi a terceira colocada em uma pesquisa realizada em 2001 pelo Banco Central do Brasil (BCB) para escolha de espécimes da fauna a serem representadas no Real, mas que já apareceu na moeda de CR$ 100,00 (cem cruzeiros reais) entre dezembro de 1993 e setembro de 1994, apresentada abaixo.
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| Fonte: Banco Central do Brasil (BCB). |
Motivações para a nova cédula
Segundo informações da Caixa Econômica Federal (CEF), mais de 20 milhões de saques foram feitos até o dia 29 de julho, porque boa parte dos beneficiários dos auxílios emergenciais, sobretudo os de menor renda, preferiram sacar o benefício em dinheiro.
Sendo que, de acordo com o BCB, ocorreu o entesouramento – dinheiro em espécie que deixou de circular devido a população guardar como reserva – de R$ 61 bilhões entre março (quando a quantidade de dinheiro com a população era de aproximadamente R$ 216 bilhões) e julho (quando a quantidade chegou a R$ 277 bilhões) como um dos efeitos econômicos da pandemia de COVID-19.
Apesar de não faltar numerário – dinheiro, seja em cédulas ou moedas cunhadas –, a instituição entende que o momento é oportuno para lançar a nova cédula, agindo de forma preventiva para a possibilidade de aumento da demanda por não conseguir precisar por quanto tempo deve durar o entesouramento.
O BCB informou que a tiragem da nova cédula, em 2020, será de 450 milhões de unidade, isto é, equivalentes a R$ 90 bilhões, e que a previsão é que comece a circular até o fim deste mês para ser utilizada no pagamento do auxílio emergencial.
Possíveis consequências
- Necessidade de dinheiro em espécie
Por mais que a circulação de cédulas esteja diminuindo em vários locais do mundo devido aos pagamentos por meios digitais, o pagamento em dinheiro era o meio mais utilizado por cerca de 60% dos entrevistados em uma pesquisa realizada pelo BCB em 2018.
Uma pesquisa realizada 2019 revelou que o Brasil tinha cerca de 45 milhões de desbancarizados – pessoas que optaram por não ter conta em banco ou que não movimentam a conta bancária por um período superior a seis meses – e que estas movimentam cerca de R$ 817 bilhões por ano.
A maioria dos desbancarizados são da população mais pobre, sendo que 86% do total estavam concentrados nas classes econômicas C, D e E – parcela da população com maior informalidade de trabalho – e 59% do total são mulheres. Outro fato revelado pela pesquisa é que 69% dos desbancarizados compram fiado, ou seja, deixam para pagar as compras no final do mês, e 51% afirmaram ter usado emprestado o cartão de crédito de outra pessoa.
Além de preferirem comprar no pequeno varejo, muitos são ex-bancarizados que tiveram experiências ruins como clientes de bancos e não acham que o dinheiro esteja seguro com estas instituições. Assim, uma das consequências é a a necessidade de utilizar dinheiro para realizar suas transações, e isso ficou evidente pela preferência registrada pela CEF em relação ao saque do auxílio emergencial.
- Economia com impressão
No mês de julho, o governo adicionou R$ 100 bilhões em dinheiro de papel e teve um gasto extra de R$ 437 milhões para impressão das cédulas.
A lógica é que a cédula de R$ 200 deve reduzir a quantidade de cédulas de outros valores devido a substituição, como, por exemplo, 2 cédulas de R$ 100 (cem reais) ou 4 de R$ 50 (cinquenta reais), sendo estas as duas cédulas com a maior quantidade em circulação (você pode ver a quantidade de cada cédula e moeda em circulação no Brasil clicando nesse link).
- Dificuldade com o troco
Se por um lado a nova cédula vai facilitar a vida do governo ao reduzir custos e ajudar no pagamento dos auxílios, esta pode criar um ponto bem negativo para o comércio, pois o beneficiário ao sacar o auxílio poderá receber 3 cédulas de R$ 200 em vez de 6 cédulas de R$ 100.
E como boa parte dos beneficiários são das camadas mais baixas de renda – e desbancarizados como apontado no item acima –, estes tendem a fazer transações em dinheiro e de baixo valor, o que poderá exigir um maior volume de cédulas de valores menores para o troco.
- A ideia de que a inflação está fora de controle
Para quem viveu na década de 1980 e passou pelo período de hiperinflação, onde os valores das cédulas aumentavam e diminuíam várias vezes e até mesmo a moeda mudava – só como exercício de recordação para quem passou por esse período, antes do Real tivemos o Cruzeiro, o Cruzado e o Cruzado Novo –, a nova cédula pode trazer más recordações.
Apesar da inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1º de julho de 1994 e 30 de junho de 2020, ou seja, durante 26 anos, ser de aproximadamente 521% – fazendo com que a nota de R$ 200 seria equivalente a uma nota de R$ 1.242 em 1994 – e não possamos negar a perda de valor do Real devido a desvalorização da moeda ao longo desse período, a inflação atual está relativamente controlada, até porque a economia encontra-se em retração com a previsão de -5,66% para o Produto Interno Bruto (PIB) segundo o Boletim Focus de 3 de agosto. Sendo que a expectativa é de que a inflação fique abaixo dos 2% em 2020. Ressaltando que a meta de inflação a ser perseguida pelo BCB é de 4% para esse ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Para auxiliar no entendimento de que a nova cédula não será a causadora da inflação, segue o vídeo do analista Daniel Nigri da Dica de Hoje Research.
Histórico de mudanças
Em 13 de dezembro de 2001 era lançada a cédula de R$ 2 (dois reais), nas cores predominantes azul e cinza, com a figura da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), uma das cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas na costa brasileira, que foi a primeira colocada na pesquisa de 2001.
Em 27 de junho de 2002 era lançada a cédula de R$ 20 (vinte reais), nas cores predominantes amarelo e laranja, com a figura do mico-leão-dourado (Leontopitecus rosalia), primata nativo da Mata Atlântica ameaçado de extinção de pelo alaranjado e cauda longa, que foi o segundo colocada na pesquisa de 2001.
Em 2005 a cédula de R$ 1 (um real), de cor predominante verde e com a figura do beija-flor-de-peito-azul (Amazilia lactea) – uma das mais de 100 espécies de beija-flor no Brasil –, teve sua produção encerrada pela Casa da Moeda do Brasil (CMB) para ser substituída pela moeda de mesmo valor e tornar o pagamento com cédulas apenas para valores superiores a R$ 2. E apesar da duração média das notas de baixo valor ser de 14 meses, ainda existem 148 milhões dessas cédulas em circulação – na verdade muitas dessas devem estar guardadas, seja em coleções numismáticas ou nas carteiras para trazer sorte, e podem chegar a valer mais de R$ 200 a depender de suas características e estado de conservação.
Em 2010 ocorreu a mudança para a segunda família do Real, com cédulas com elementos de segurança mais modernos e fáceis de verificar, como marcas táteis e tamanhos diferentes para facilitar a identificação de cada valor. As notas de R$ 50 e R$ 100 forma as primeiras a serem substituídas e começaram a circular no fim daquele mesmo ano. As notas de R$ 10 (dez reais) e R$ 20 começaram a circular em 2012 e as de R$ 2 e R$ 5 (cinco reais) foram colocadas em circulação no meio de 2013.
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| Fonte: Reprodução do sítio do BCB |
Real estrangeiro
Em setembro de 2016 o BCB, preocupado com a capacidade da CMB em imprimir cédulas devido a uma série de problemas – desde a quebra de equipamentos até esquemas de corrupção para direcionar licitações – foi autorizado, por meio de uma Medida Provisória, a importar cédulas.
Foi assim que o BCB contratou, sem licitação e em caráter de emergência, a empresa sueca Crane AB para fornecer 100 milhões de cédulas de R$ 2 ao custo de R$ 20,2 milhões – mil cédulas impressas pela CMB no bairro de Santa Cruz, no subúrbio do Rio de Janeiro, custavam R$ 242,73, enquanto que a mesma quantidade produzida na Suécia custaram R$ 202,05, valor 17% menor.
As cédulas suecas que entraram em circulação em 18 de janeiro de 2017 são idênticas as brasileiras, com a diferença de que no lugar onde está escrito Casa da Moeda do Brasil, nas notas brasileiras, consta Crane AB e que as duas primeiras letras do número de série das notas estrangeiras sempre começam com "DZ". Estas diferenças são destacadas na imagem abaixo.
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| Fonte: Divulgação (sítio do InfoMoney) |
Felipe Branco Cruz cita que, segundo o Catálogo de Cédulas do Brasil – de Manoel Camassa –, as primeiras notas de R$ 5 foram fabricas pela empresa alemã Giesecke Devrient, as de R$ 10 pela britânica Thomas de La Rue e as de R$ 50 pela francesa François Charles Oberthur.
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