Quando usar a reserva de emergência?
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Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas tem dúvidas de quando deve usar a reserva de emergência. Então para tentar ajudar a encontrar a resposta para essa questão, vamos responder algumas perguntas juntos!
O que ocorreu era previsível ou imprevisível?
Entenda que alguns acontecimentos tem a possibilidade real – mesmo que pequena – de ocorrer, ou seja, são previsíveis, enquanto que em outros casos a possibilidade é tão remota que acabamos nem pensando que possam ocorrer. Vamos a alguns exemplos!
Qual é a possibilidade de sua casa desabar? Bem, se ela foi construída por profissionais que seguiram os padrões e normas de Arquitetura e Engenharia Civil, é praticamente improvável que isso ocorra porque o Brasil não sofre com terremotos ou outros desastres naturais que possam abalar as estruturas do seu imóvel a esse ponto.
Mas mesmo que improvável, não é impossível! Muitos de vocês podem não conhecer o Palace II por não morarem no Rio de Janeiro ou por não terem idade para conhecer esse caso. Mas de forma bem resumida, o edifício sofreu problemas estruturais devido à erros no projeto e desmoronou, e o que ficou de pé acabou implodido pela Prefeitura. Então os moradores daquele edifício se viram sem residência em questão de dias! O bem que possuíam literalmente virou pó!
Bem, vamos supor que sua residência não tenha esse tipo de problema, porém, com a evolução da cidade resolveram fazer obras do metrô próxima a sua residência. Quais são as chances da obra causar danos a sua residência? Você pode achar que é improvável né? Mas gostaria de lembrar de dois casos. O primeiro ocorreu em 2007 na obra do Metrô de São Paulo, em Pinheiros, e o segundo ocorreu em 2014 na obra do Metrô do Rio de Janeiro, em Ipanema.
No caso da cratera de Pinheiros algumas pessoas tiveram que sair de suas residências por um período de tempo, enquanto as pessoas do caso de Ipanema tiveram problemas com o fornecimento de alguns serviços – água e gás – e rachaduras nas edificações.
Estes três casos servem de exemplo para mostrar a situação emergencial em que precise urgentemente de uma nova moradia, mesmo que de forma temporária. Você pode até pensar, se algo acontecer, o responsável pelo dano a minha residência precisa arcar com os custos do hotel ou do aluguel do imóvel em que vou ficar. Porém, pode ocorrer do responsável não querer pagar e ser necessário entrar na Justiça para que ocorra o pagamento do local temporário e isso pode levar alguns dias. E como você passaria esses dias fora da sua casa?
Estes três casos servem de exemplo para mostrar a situação emergencial em que precise urgentemente de uma nova moradia, mesmo que de forma temporária. Você pode até pensar, se algo acontecer, o responsável pelo dano a minha residência precisa arcar com os custos do hotel ou do aluguel do imóvel em que vou ficar. Porém, pode ocorrer do responsável não querer pagar e ser necessário entrar na Justiça para que ocorra o pagamento do local temporário e isso pode levar alguns dias. E como você passaria esses dias fora da sua casa?
Quebrou... Consertar ou comprar um novo?
Você tem um eletrodoméstico bem antigo. Você tem noção de qual é a chance dele ter um defeito? Bem, como engenheiro de produção posso dizer que as chances de ter algum defeito aumentam razoavelmente próximo ao fim da vida útil do produto. Aí temos o dilema que dá título a essa parte do texto, consertar ou comprar um novo?
Para fazer essa avaliação temos que observar o tempo de uso, o custo do produto em relação a um novo e, em alguns casos, também precisamos comparar o consumo de energia em relação a um novo. Normalmente a vida útil dos eletrodomésticos é de 10 anos. Então se o aparelho der defeito quando tiver oito ou nove anos, a tendência é de que apresente uma série de problemas e não valha a pena fazer o conserto.
Porém, se o aparelho for relativamente novo, precisamos avaliar se vale consertá-lo. Para isso, precisamos observar o custo do conserto – incluindo o preço da peça, da mão de obra e talvez da logística para receber a peça, pois pode ocorrer da peça ter que vim de outro lugar e não compensar, seja pelo valor do frete ou pelo tempo de espera para consertar o seu produto.
Para te ajudar nessa decisão, posso te dizer que alguns especialistas afirmam que se o custo da manutenção ficar abaixo de 30% do preço de um aparelho novo, vale a pena investir no conserto do aparelho, mas se ultrapassar esse percentual, o ideal é procurar por um produto novo.
Note que só falamos sobre avaliar o custo, mas podemos analisar outros fatores ao conversar com o técnico que irá realizar o orçamento do conserto e saber se a substituição da peça pode dar outros defeitos.
Para mudar um pouco esse cenário por um mais complexo, digamos que você tenha um veículo e por falta de conhecimento ou descuido, não realiza a manutenção correta. Qual é a possibilidade do veículo ter um defeito? O defeito pode ser simples ou complexo, e isso afetará o custo do conserto. E é bem provável que você não tenha condições de desembolsar a quantia suficiente para ir em uma concessionária e comprar um carro novo né? Assim, chegamos a terceira pergunta.
Consigo (re)fazer o planejamento financeiro?
Se você entendeu a importância do planejamento financeiro – tema desse texto aqui: Como obter sucesso na vida financeira –, responder essa pergunta é relativamente fácil. Mas para quem não entendeu ou nem leu – recomendo fortemente que leia o texto –, talvez o que vou escrever a seguir possa auxiliar no entendimento do quão importante é o planejamento financeiro.
Bem, se já tem o seu planejamento financeiro, refazer os seus planos quando ocorrer um imprevisto pode ser uma tarefa fácil. Pois tendo noção dos seus gastos, pode ser relativamente tranquilo saber onde diminuir as despesas para conseguir encaixar os gastos com o imprevisto dentro do valor que estará disponível no seu orçamento, fazendo com que não mexa na sua reserva de emergência. Ou dependendo do valor a ser desembolsado em um primeiro momento, você tenha que mexer na reserva, mas os gastos subsequentes podem entrar no novo planejamento.
Por exemplo, você ou alguém da sua família sofreu um acidente e teve que passar por uma cirurgia. É bem provável que os valores pagos ao anestesista e ao instrumentador cirúrgico tenham que ser cobertos com a reserva de emergência, pois mesmo que você ou seu familiar tenha plano de saúde e o valor seja reembolsado futuramente, o processo de reembolso pode ser um pouco demorado e levar até alguns meses para ter o dinheiro de volta. Assim, nesse primeiro momento você vai ter que arcar com os gastos com parte da reserva de emergência.
Mas e os gastos do pós-operatório? Então, é exatamente aqui que é importante ter o seu planejamento financeiro bem feito, porque poderá encaixar esses novos gastos no lugar de algum gasto antigo que pode ser entendido como supérfluo ou desnecessário naquele momento, ou de repente pode pedir a suspensão temporária de algum serviço para diminuir as despesas e conseguir compensar o que vai gastar, diminuindo o que vai ter que retirar da reserva de emergência até que tudo se resolva.
Só para ficar bem claro, voltemos ao exemplo do eletrodoméstico que quebrou e não teve conserto ou não compensa consertar, ao procurar por um novo, você já pode planejar o parcelamento do preço do novo – estou falando de eletrodomésticos "caros", como geladeira, fogão, televisão e mais alguns, que muito provavelmente não compensam pagar a vista – para caber dentro dos seus rendimentos futuros, evitando de mexer na reserva de emergência. Mas digamos que você encontre uma mega promoção onde o produto esteja, por exemplo, pela metade do preço, mas a exigência é o pagamento a vista, talvez nesse caso seja melhor aproveitar a oferta pagando pelo novo produto com a reserva de emergência e planejar a recomposição da reserva de emergência – tema que que será no próximo texto.
Resumindo
Dependendo do tipo de emergência, do valor a ser desembolsado e de quando tiver que pagar pelas despesas, não teremos opção e teremos que usar parte ou toda a reserva de emergência para que não tenhamos que contrair dívidas com o imprevisto.
No primeiro caso, de usar parte da reserva, ainda teremos algum valor para não ficarmos totalmente desprevenidos. Já no pior caso, o de usar toda reserva, devemos tomar cuidado para não termos dificuldades financeiras devido a emergência que ocorreu e com possíveis imprevistos que possam ocorrer antes da recomposição da reserva.
Fique ligado que falarei sobre como recompor a reserva de emergência no próximo texto. E para não perder nada, favorita o blog ou curta a página no Facebook e fique de olho para saber como alcançar seus objetivos!
Vamos plantar para colher!

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